Aprenda fazer uma resenha bibliográfica e tire proveito na hora de realizar um TCC

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Um dos grandes desafios para qualquer aluno de curso superior é quando chega a hora de realizar o trabalho de conclusão de curso, também conhecido como TCC. Normalmente o TCC é iniciado no penúltimo semestre e estendido por mais um semestre, ou seja, um ano de produção acadêmica.

Pode parecer muito tempo, mas não é. Produzir um TCC em 12 meses exigi do aluno ou do grupo de alunos, empenho, resiliência, muitas horas de leitura e pesquisa e tantas outras dedicadas à escrita.

Há tempos acredito, escrever é umas das artes mais fascinantes do mundo. É com a escrita que conseguimos muitas vezes expressar nossas alegrias, desejos, ambições e até nossas tristezas, é no mundo do imaginário de uma boa leitura que navegamos para conhecimento ilimitado, pois os ingredientes imagem+ação toma nossa mente e eleva nossa consciência.

Uma amiga querida e par de pesquisas e desenvolvimento na área de jogos digitais, a docente Ms. Paula Salazar, pesquisadora e profissional em artes visuais e produções digitais interativas, em nossas discussões enriquecedoras que nunca duram menos de duas horas, sempre faz questão de afirmar: “arte é disciplina e técnica, simples assim”.

Concordo com a afirmação da Paula Salazar, mas disciplina e técnica exigi percorrer degrau por degrau, o famoso step-by-step. É sabido que não temos uma cultura da leitura e  muito menos da escrita, e, para muitos jovens ler e escrever torna um martírio sem fim.

A experiência como docente de cursos superiores e de pós-gradução na condução de projetos acadêmicos, tal como TCC e desenvolvimento de protótipos funcionais, trouxe para mim um cenário preocupante.

Uma das minhas indagações incessantes ao longo dos anos dedicados ao magistério do ensino superior, em especial para áreas de tecnologias, administração e marketing, foi a seguinte: Quais os instrumentos preparatórios no qual eu poderia utilizar para incentivar a leitura e despertar o interesse do aluno em produções acadêmicas?

Certamente, um destes instrumentos preparatórios para realização de um trabalho de conclusão de curso com qualidade de conteúdo e referências é a resenha bibliográfica.

A resenha bibliográfica é considerada uma produção acadêmica, mas facilmente pode ser levada para o dia a dia do leitor. Isso porque, quando se faz uma resenha criamos um elo significativo com a obra e com autor, parece íntimo não é?

De fato sim, o leitor cria uma intimidade com a postura e a forma como o autor descreve suas narrativas e aos pouco você produtor de obras resenhística elegerá as melhores obras para compor seu acervo pessoal e profissional. Arregace as mangas e produza sua primeira resenha bibliográfica.

RESENHA BIBLIOGRÁFICA

Marina Marconi e Eva Maria Lakatos na obra “Fundamentos da Metodologia Científica”, em sua 7ª edição, datada em 2010 pela editora Atlas, apresenta um panorama do geral do conhecimento dedutivo e indutivo, e um dos pontos relatados pelas autoras é o tema resenha bibliográfica.

Para autoras, resenha bibliográfica é “uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos”. Sobretudo, as autoras sugerem ao resenhista uma estrutura bem simples para produção, são cinco fases sequenciais:

  1. Referência bibliográfica - esta primeira fase o resenhista descreve de maneira sucinta os dados cadastrais da obra, como: nome do autor, título/substítulo, imprensa (local de publicação, editora, edição, ISBN etc.), número de páginas e ilustrações (tabelas, gráficos, fotos).
  2. Credenciais do autor – esta fase é dedicada exclusivamente ao autor. É nela onde informa um pouco sobre o histórico pessoal (data nascimento, data falecimento (caso haja), local de nascimento e desenvolvimento profissional, os principais temas pesquisados e áreas do conhecimento, como o assunto foi abordado. Vale lembrar, não deve escrever uma biografia detalhada, o ideal que não ultrapasse 300 palavras, contando espaço e pontuação.
  3. Conclusão do autor – esta fase é dedicada as conclusões que o autor faz. Normalmente,  o autor encerra sua obra com considerações ou recomendações, caso não isso não ocorra, não deixe esta fase em branco. Ao longo da obra, com certeza o autor declara suas conclusões e considerações.
  4. Quadro de referência do autor – esta fase é dedicada o resenhista apresenta quais as principais referências, ou seja, quais obras e autores no qual o autor se baseou na condução e no racional do livro, e, também qual o método científico no qual a obra está situada: dedução, indução, hipotético-dedutivo e abdução. Se você desconhece o significado de cada método científico, mais pra frente os apresentarei pra você.
  5. Apreciação – esta fase é dedicada a obra em si, ou seja, é nesta etapa que o resenhista descreve a obra. O resenhista deve explorar e apontar objetivo, a lógica e as circunstâncias da obra. Finalizando sempre a quem é indicada – seu público-alvo. Ressalto, na apreciação o resenhista não pode imprimir seu ponto vista, se faz necessário a imparcialidade.

Outro pesquisador renomado e também professor e escritor, Antônio Rubbo Muller da Universidade de São Paulo (USP), colaborou na criação de um modelo estrutural para produção de resenhas.

Tenho adotado o modelo Muller nas atividades continuadas com meus alunos da gradução e pós-gradução, por ter característica simplificada, introduz para o discente uma forma lógica-racional, confira abaixo o modelo proposto por Muller em 10 (dez) fases:

  1. Obra - nesta fase você deverá preencher as seguintes informações
      • Nome do Reenhista
      • Nome do Autor
      • Título da Obra
      • Comunidade em que foi publicada
      • Firma publicadora (editora)
      • Ano
      • Número de páginas
      • Formato
      • Preço médio
      • Edição
  2. Credenciais do autor - veja as orientações citadas no modelo de Marconi/Lakatos.
  3. Conclusão do autor - veja as orientações citadas no modelo de Marconi/Lakatos.
  4. Resumo da Obra - veja as orientações citadas no modelo de Marconi/Lakatos e não deixe para trás a oportunidade de usar e abusar de notas de rodapé.
  5. Metodologia do Autor – aponte o método aplicado na obra: dedução, indução, hipotético-dedutivo e abdução
  6. Quadro de referência do Autor – cite as áreas e centro de interesse da obra.
  7. Quadro de referência do Resenhista – cite as áreas e centro de interesse que o resenhista acredita que a obra pode ser aplicada.
  8. Crítica do Resenhista – crítica positiva ou negativa do resenhista.
  9. Indicações do Resenhista - quais os cursos/áreas que a obra pode ser aplicada.
  10. Data / Carga horária – data de conclusão da resenha e total de horas dedicadas na produção da resenha (leitura + pesquisa + escrita)
Apesar do modelo proposto por Muller ter 10 fases, cinco a mais de Marconi e Lakatos a disposição das fases são mais objetivas e diretas na hora da produção de resenha bibliográfica.
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Retomando um pouco sobre o tema “método científico“, não é nada incomum o resenhista em suas primeiras produções encontrarem dificuldade na hora de enquadrar a obra. Na verdade, não é fácil para ninguém, como tudo na vida se parte de fatos, evidências e interpretações, pesquisar e estudar a natureza do método científico por si só é uma conquista para o resenhista que procura o conhecimento científico, outra sugestão é antes de começar sua resenha eleja um livro que aborde os métodos: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo e abdução.

POR ONDE COMEÇAR?

Uma dica que sempre dou para meus alunos e amigos é a seguinte: – aproveite um fim de semana e vá para uma livraria, uma sugestão de local para os paulistanos e para quem está de passagem por São Paulo, é a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, localizada no centro financeiro da capital – Avenida Paulista. O importante é ter em mente que irá aproveitar seu fim de semana e não perder tempo.

Outra dica na capital paulista é a recém inaugurada – Livraria da Vila do Shopping JK, localizada na zona sul no bairro da Vila Olímpia. Ambas, são amplas e propiciam a leitura no local com poltronas confortáveis e ainda dispõe de cafés gourmet, dirija-se aos assuntos que mais lhe interessam, pode ser: culinária, moda, marketing, auto-ajuda, contabilidade, física quântica, cinema, informática, literatura, romance etc…

Alguns alunos me perguntam se podem escolher e comprar um livro de arte, mangá, quadrinhos, literatura estrangeira, literatura psicografada ou até mesmo um livro 100% técnico, recheado de scripts e códigos, onde há poucos parágrafos escritos.

A resposta é simples e direta, PODE SIM. O importante é criar empatia com o tema, obra e para com o autor. O que se vale aqui é começar, sem medos e receios.

Outra questão levantada: é necessário ser um livro novo? A resposta aí não é tão direta, mas vale um momento de reflexão… Indico ir à uma livraria pelo simples motivo de você ter a condição de escolha – o querer/desejar explorar uma obra bibliográfica. Acredito, que o “novo” criará na mente do futuro resenhista uma expectativa maior que um livro que esteja empoeirado na estante de sua casa.

A dedução é simples, se você não o leu ou não recorda muito bem do livro que já tenha em casa é porque não lhe interessa para produção acadêmica, todavia, isso não é uma regra. Afinal de contas no método científico a regra pode ter excessões, basta testá-la e analisá-la, aí surgirá uma nova regra, com novas condições de análise.

Por sua vez, se estiver com problemas financeiros, “grana curta” e não tem como adquirir um livro novo, outra saída são os SEBOS (lojas de livros usados) ou até mesmo recorra para os e-books (livros digitais) ou ainda, poderia fazer uma visita a um amigo e peça emprestado algum título que lhe agrade mais. Se sua opção for pedir emprestado, não se esqueça de devolvê-lo. Livro é um bem em si.

PREPARAR O AMBIENTE E A MENTE

Para muitas pessoas que não possuem o hábito da leitura e da escrita, uma recomendação que sempre dou é preparar o ambiente e a mente para começar a leitura.

Então, se prepare para começar e se esperou tanto tempo para ampliar o senso crítico, escolha um lugar que seja agradável para você. Este lugar pode ser sua casa, desde que não seja sua cama ou nem o sofá, dê preferência para cadeira confortável e uma mesa limpa – clean, sem muitos objetos encima da mesa.

Algumas pessoas preferem um lugar fora de casa, sinceramente, muitas vezes a melhor concentração e aproveitamento está fora de casa, uma livraria, um café, uma praça, um parque, pois bem, se têm muitas opções para ter um ambiente propício e convidativo para você.

Com o lugar ou lugares eleitos, o próximo passo é cuidar do corpo e da mente. Dormir bem, respirar bem, comer bem e beber muita água são essenciais para ter um memória eficaz.

Não tenho a pretensão de lhe dar conselhos e levantar bandeira da “tenha uma vida saudável”, mas não precisa ser um ativista para saber, os sintomas mais comuns para quem dorme mal é o cansaço, comer mal dá mau humor, respirar mal, o cérebro não oxigena direito.

Para realizar uma boa resenha e posteriormente um excelente trabalho de conclusão de curso a memória será um aliada importante no seu desenvolvimento, então não perca a oportunidade de cuidar bem de seu corpo e mente.

LEITURA E MAPEAMENTO DE IDEIAS

Começo este tópico com a seguinte pergunta: Quantas vezes você leu uma matéria numa revista e depois de algumas horas você nem se lembrava do nome do jornalista? E mais algumas horas você nem lembrava dos principais aspectos da matéria?

A mente humana é muito boa em “limpar” – “dar um cut” nas informações que considera inúteis para você, portanto, exercitar a mente é uma boa saída, para isso, há algumas técnicas para registrar fatos, eventos e ocorrências durante a leitura.

Primeiramente, abra o livro e vá para as referências bibliográficas que estão localizadas no final do livro. Para esclarecer qualquer dúvida, as referências bibliográficas são todos os livros que o(s) autor(es) utilizaram para fundamentar a obra. Anote em um papel ou digite 5 nomes de autores e suas obras e reserve.

Em seguida, analise as informações sobre o livro, como título, subtítulo, editora, praça publicadora, ISBN etc… se possível, pesquise na internet e levante mais informações para complementar sua pesquisa. Exemplo: Tome conhecimento sobre os livros mais relevantes da editora, sua história, se há livraria física ou virtual.

Leia o prefácio, sumário, apresentação do livro, ou seja, não pule em hipótese nenhuma página até chegar no capítulo 1. Tenha em mente, o objetivo até aqui é criar um método de leitura para produção de resenhas bibliográficas.

Quando chegar o capítulo 1, leia parágrafo por parágrafo e anote todas as palavras chaves do capítulo e depois as procure no dicionário e também na internet.

Com o dicionário você saberá o significado de cada palavra e consequentemente ampliará seu vocabulário, já com a pesquisa na internet, você descobrirá os assuntos correlacionados com as palavras chaves e consequentemente ampliará a fundamentação contextual da sua resenha.

Faça isso ao longo da obra, capítulo por capítulo, se sentir cansaço pare e retome quando se sentir motivado, o ideal é não deixar espaços muitos longos de trabalho, isso porque, você poderá cair na tentação de deixar de lado seu objetivo – realizar uma resenha bibliográfica.

Algumas pessoas lêem toda obra realizando as anotações e depois fazem o resenha de uma única vez, outras preferem realizá-la capítulo a capítulo. O método que sugiro é realizar capítulo por capítulo com no máximo 3 (três) parágrafos destinado a cada capítulo. Se você fez até aqui todos os passos sugeridos com as anotações e pesquisas, será muito mais fácil produzir a resenha.

Outra dica importante é a nota de rodapé. Nota de rodapé é uma marcação com anotações localizada no rodapé da folha (documento), ela serve direcionar e informar o leitor sobre referências ou citações.

Escolha uma das duas estruturas de resenhas bibliográfica – da Marconi/Lakatos ou do Muller e comece a preencher cada tópico. Como apontei anteriormente, tenho adotado do Antônio Rubbo Muller pela maneira simples e com uma estrutura lógica bastante agradável tanto para o resenhista como para o leitor.

DIVULGAR SUA RESENHA

Com a resenha pronta, agora chegou a hora de divulgá-la. Você poderá publicá-la no seu blog ou no seu site, mas não esqueça de compartilhá-la nas principais redes sociais, como Facebook, Twitter e Linkedin. Duas outras sugestões de redes sociais são o Artigonal, uma rede social especializada em publicações e o Slideshare, uma rede especializada em apresentações e arquivos pdf.

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