Cibernegócios – pensou em negócios na rede, pensou ciber

Convido todos os leitores (profissionais, executivos, especialistas, universitários, pesquisadores, mestres, doutores, teóricos, professores, pessoas de diversas áreas do conhecimento, em especial profissionais que atuam nos segmentos industriais) a participar, dialogar, discutir e criticar este artigo. Este trabalho foi feito para vocês!

Este artigo, intitulado “Cibernegócios – Pensou em negócios na rede, pensou Ciber”, propõe apresentar uma visão geral de como as empresas estão lidando com todo o aparato tecnológico e com as mudanças substanciais da nova economia – a economia em rede e móvel. O tema será tratado em cinco tópicos. O primeiro a ser abordado é o aspecto da “Tecnologia da Informação: um ativo intangível” e como a Governança e o Compliance criam valor não somente nos processos operacionais, mas também como fontes maximizadoras de objetivos de estratégia competitiva.

No segundo tópico, teremos em discussão o e-Business como plataforma de negócios para empresas de diversas naturezas de relacionamento, com o objetivo de evidenciar como o e-Business e os e-Marketplaces podem minimizar os efeitos flutuantes da demanda de produtos na cadeia de valor.

O terceiro tópico, “m-Business: mobilidade para cadeia de valor”, relaciona as práticas do e-Business com o uso da mobilidade como geração de uma nova economia conectada e desterritorializada.

Já quarto tópico, “s-Commerce: a nova forma de fazer negócios e estabelecer relacionamentos”, aponta como as redes sociais e a comunicação eficaz traz para as empresas resultados e fatos reais do comportamento da cadeia de valor com diferentes interfaces de interatividade.

Por fim, no quinto tópico teremos o “Blog Corporativo”: uma imersão em vários cases evidenciando como o uso do blog e dos microblogs pelas empresas podem gerar negócios de forma direta ou indireta.

Antes de começar a deslanchar o tema cibernegócios, vamos introduzir um panorama 360° de conceitos e novas tendências para um futuro não tão distante.

O advento da internet, do ciberespaço e a imersão em novas tecnologias, dentre elas o uso de computação móvel em dispositivos móveis, trouxeram a possibilidade das empresas usufruírem de uma rede social, construindo nichos com necessidades diferentes e, consequentemente, estabelecendo estratégias competitivas em mercados muitas vezes inexplorados ou mal explorados.

Antes de adentrarmos em questões ciber, começaremos a definir o conceito de espaço, que há algum tempo tem sido palco de muitas discussões em várias ciências: cosmologia, física, matemática, filosofia, teologia, psicologia, sociologia, arte, semiótica. O assunto não poderia faltar na ciência da tecnologia. O que podemos dizer do espaço? É infinito e ilimitado. O espaço nasce, cresce e prolifera. As novas tecnologias e sistemas modificam a antiga trajetória da evolução territorial e introduzem novas lógicas, como as tecnologias inseridas na internet. SANTAELLA (2003)

Historicamente, desde o seu nascimento pelas necessidades de defesa geradas pela Guerra Fria, o computador demonstrava um potencial de estabelecer comunicação, já que a informação passou a existir na forma de um movimento contínuo, capaz de sair do computador e se expandir em uma rede de transmissão. Foi nesse período que se desenvolveu o Semi Automatic Ground Environment (SAGE), a primeira rede de informática em escala nacional; posteriormente, no âmbito universitário e militar, foi criada a Advanced Research Projects Agency Network (ARPANET), a ancestral da internet.

A internet desenvolveu-se no final dos anos de 1960, a partir da interação entre pesquisa científica fundamental e programas militares, porém foi lançada comercialmente em 1995, quando surgiram os primeiros provedores comerciais.

O início da implementação da internet no Brasil foi a partir de 1987. Em 1988, com o apoio da FAPESP, as universidades paulistas passaram a se comunicar por meio da Academic Network at São Paulo (ANSP) para fins de pesquisa, e a partir de 1995, a internet foi aberta para exploração comercial. FONTES (2001)

O boom aconteceu somente quatro anos depois, com a explosão de grandes portais como UOL (1996), Zaz/Terra (1996/1999), IG (2000) e Globo (2000). De acordo com a pesquisa sobre análise de usuários de internet no Brasil, realizada pelo IBOPE/NetRatings em julho de 2009, o número de internautas residenciais ativos é 36,4 milhões., Esse número pode chegar a 44,5 milhões de usuários, se considerarmos pessoas com acesso à internet a partir de qualquer tipo de ambiente: residência, trabalho, escola, cybercafé, biblioteca.

A pesquisa demonstra que o brasileiro navega na internet 71 horas e 30 minutos/mês. Em 2008, esse número estava em 48 horas/mês. Os motivos são muitos para explicar esse fenômeno de crescimento, dentre eles, podemos destacar a acessibilidade: todo lugar é possível acessar a rede de computadores mesmo que seja discada; o viral das redes sociais, como Orkut e Twitter; e não podemos esquecer dos dispositivos móveis – smartphones, cuja infinidade de recursos o torna um verdadeiro computador de bolso.

Antes de prosseguirmos, farei uma breve conceituação sobre “internet”. Afinal, a internet é uma rede de computadores interligados por meio do padrão aberto (não depende de nenhum fabricante) TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol). Compõe-se de diferentes recursos que possibilitam a comunicação e o envio de dados entre os computadores de uma rede. Esses recursos, os protocolos de aplicação, são conhecidos como ferramentas e serviços. FONTES (2001)

Há uma dúvida que sempre paira nas mentes dos internautas em geral: existem diferenças entre internet e ciberespaço, já que até este ponto discutimos somente conceituação técnica sobre a internet? Embora o termo ciberespaço tenha surgido com a explosão da internet, ambas as palavras não podem ser tratadas como sinônimos. SANTAELLA (2007:179)

Para ciberespaço, aqui se valerá a conceituação de LÉVY (1999:17): “O ciberespaço é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores.” O termo especifica não apenas a infraestrutura material de comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ele abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse serviço.

Você deve estar se perguntando: Como surgiu o termo ciberespaço? Parece ter um tom de ficção científica, não dá para imaginar esse termo no meu dia-a-dia, não é mesmo? Resgatarei um breve fato histórico: no início da década de 1980, o escritor americano William Gibson inventou o termo ciberespaço para se referir ao ambiente virtual criado pelas redes de computadores. Dois anos depois, publicou seu romance de estreia, Neuromancer, que influenciou a trilogia Matrix e se tornou o trabalho mais conhecido do subgênero da ficção científica, chamado de cyberpunk. FERNANDES (2006)

De acordo com LEÃO (2004:9), o ciberespaço é camaleônico, elástico, ubíquo e irreversível, e não se reduz a definições rápidas. Engloba a tríplice: as redes de computadores interligadas no planeta (incluindo seus documentos, programas e dados); as pessoas, grupos e instituições que participam dessa interconectividade; e, finalmente, o espaço (virtual, social, informacional, cultural e comunitário) que emerge das inter-relações homens-documentos-máquinas.

De acordo com a conceituação de LÉVY de que o ciberespaço é “o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores”, seria possível identificar a internet como este novo meio e estabelecer que “internet” e “ciberespaço” são sinônimos. Mas, como se pode ver, também para Lévy (1999:32), existe uma fundamental diferença a ser considerada: “As tecnologias digitais surgiram, então, como a infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação de sociabilidade, de organização e de transação, mas também novo mercado de informação e do conhecimento.”

LÉVY (1999:29) alerta que o ciberespaço fornece suporte e expansão à inteligência coletiva; isso não significa que seja sua fonte de desenvolvimento, mas que propicia o seu próprio desenvolvimento. Além disso, nos casos de desenvolvimento e processos de inteligência coletiva, seu principal efeito é o de acelerar cada vez mais o ritmo da alteração tecnossocial, o que torna ainda mais necessária a participação ativa da cibercultura e, consequentemente, abre espaço para novas derivações do estado “ciber” de viver, ou seja, o mundo digital como extensão do mundo real.

Todavia, em um contexto de sociedade, o mundo dos negócios caminha junto com todas essas transformações sócios-culturais-econômicas, com um desafio de gestão das novas tecnologias e da informação que circula e flui pela rede.

Na era da conexão, da mobilidade, do acesso sem fio, a troca de informações envolve cada vez mais os cibernautas, cada um com seus interesses pessoais e/ou profissionais.

Cibernauta? Sim, cibernauta. Por que cibernauta? Contextualizando: a internet é a infraestutura digital; eu, você e outros seres humanos não podemos nos considerar infraestrutura

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