Metodologia Captare aplicada em sistemas de informações geográficos

Como entender e compreender o fluxo de demanda nos canais de distribuição através da linguagem Cartográfica Digital – GoogleEarth

Proposta deste artigo é como os segmentos industriais podem conhecer e entender o comportamento da demanda no varejo através da análise de dados gerados a partir de transações business to business que se utilizam recursos gerados por linguagem cartográfica – Semiologia Gráfica – tendo a finalidade de informar e transmitir conhecimentos. Há, portanto, todo cuidado e precisão no emprego dos símbolos, para que os diversos usuários possam entender a linguagem cartográfica do mapa e, conseqüentemente utilizá-lo em ciberespaço.

RESUMO 

O presente artigo tem como temática a influência da linguagem cartográfica nos processos decisórios das organizações. Tal linguagem pode ser definida como a ciência, a técnica e a arte de representação espacial dos fenômenos da natureza e da sociedade ao longo do tempo, sendo os objetivos que a norteiam a elaboração e preparo de cartas, mapas e outras formas de representação cartográfica, bem como sua utilização. Todavia, a partir dos anos 60, essa ciência sofreu grandes transformações, a entrada no mercado de computadores e softwares sofisticados, o uso desses equipamentos atinge a praticamente todas as universidades, institutos de pesquisas e corporações, abrindo enormes possibilidades às mais variadas linhas de pesquisa das geociências, geopolíticas, geoeconomicas, geomarketing e tantas outras composições que conjugam o estado da arte, a Cartografia, a esperada Cartografia Digital. Este artigo é resultado de um trabalho de pesquisa desenvolvido pela autora, vinculado à área de Análise da Informação Espacial, com discussão teórica sobre a influência da semiótica no processo de tomada de decisão estratégica dos segmentos industriais em um dos nós da cadeia produtiva – o ponto de venda (trade).

PALAVRAS-CHAVE: 

Geografia, Cartografia Digital, Geoprocessamento, Geomarrketing, SIG-Sistema de Informação Geográfica, Semiótica, Trademarketing, Estatística, Datamining.

 

1.  Cartografia: Sua origem, definições e aplicações

A história da origem dos mapas é uma das formas de comunicação mais antigas da humanidade, portanto, o que se pode afirmar mesmo antes da era Cristã, na Babilônia – 3800 aC – toda a humanidade, sem exceção, utilizou mapas.

Na Idade Média a Cartografia teve um período de estagnação, mas a partir de 1500 houveram alguns fatos marcantes para a retomada da cartografia, tais como a recuperação da herança cartográfica deixada pelos gregos e romanos, através da tradução de importantes obras no latim, a invenção da imprensa e das técnicas de gravação e os grandes descobrimentos, expandindo o conhecimento sobre novas Terras e com isso criando a necessidade de mapeá-las.

Em 1900 foi o auge da cartografia, era muito raro encontrar algum lugar da Terra, cujas características topográficas fossem desconhecidas.

 

RAIZ (1953) “a arte de desenhar mapas é a mais antiga modalidade de comunicação, sendo inclusive anterior à arte de escrever e que, exemplos de mapas de antigas civilizações demonstram que o homem conhecia muito bem seu ambiente, através da representação dos objetos que o compunham, apresentando a posição relativa de cada objeto, com razoável precisão”.

 

E complementa, todas ciências ligadas à Cartografia, nenhuma é tão expressiva como a Geografia, na medida que os fatos e fenômenos cartografados partem dos ramos da geografia, quer física, quer humana, quer econômica. Seria inviável a elaboração de um mapa com dados econômicos sem o conhecimento e influxo da Geografia econômica; como inexplicável seria a elaboração de um mapa de distribuição da vegetação, sem a participação da fitogeografia; como imprudente seria a elaboração de um mapa das formas de relevo sem o mínimo de conhecimento de geomorfologia, ou impreciso seria o estudo das bacias hidrográficas sem as técnicas permitidas pela geomorfologia fluvial. E assim sucessivamente. Sem dúvida, esta ciência apresenta-se à Geografia como uma técnica auxiliar para a elaboração e representação gráfica dos fenômenos geográficos.

 

SANTOS (1989) define Cartografia como “uma ciência porque” “para alcançar exatidão satisfatória procura um apoio científico que se obtêm pela coordenação de determinações astronômicas e matemáticas com topográficas e geodésicas. É arte quando se subordina às leis estéticas da simplicidade, clareza e harmonia, procurando atingir o ideal artístico de beleza”.

TAYLOR (1991) diz que a “a Cartografia corresponde à organização, apresentação, comunicação e utilização de geoinformações nas formas gráficas, digital ou tátil, podendo incluir todas as etapas desde a apresentação dos dados até o uso final na criação de mapas e produtos relacionados à informação espacial”.

 

A partir da década de 40, com o surgimento de sistemas mais poderosos, a Cartografia reúne uma grande gama de descrições da superfície terrestre, tanto nas formas gráficas como nas digitais, permitindo a elaboração de mapas digitais, bem como outros produtos que podem ser relacionados à informação espacial. Nos anos posteriores, com a entrada definitiva no mercado dos microcomputadores, essa Ciência passa então a se dedicar à sua questão decisiva: a automação do desenho com transcender a informação em conhecimento.

A partir desse momento a Cartografia Analógica abre frente à Cartografia Digital que se utiliza de processos totalmente automatizados para a elaboração dos mapas. Com isso, surge na década de 80, o  geomarketing sob forte influência das idéias dos anos 1970. Utilizando a orientação para o mercado – filosofia fundamental do marketing –, o geomarketing tenta revelar e medir a influência da localização sobre as atividades de consumo, sobre os concorrentes e, de uma maneira geral, sobre todos os componentes do mix de marketing.

O geomarketing  está relacionado a quatro aspectos: o desenvolvimento de teorias econômicas, o aparecimento da filosofia de marketing e a colaboração dada pela geografia, e o advento dos Sistemas de Informação Geográfica – SIG, conforme mostra a figura abaixo:

 

 

Fig 02: Ramos do conhecimento que contribuíram no surgimento do gemarketing, segundo ordem cronológica.

 

YRIGOYEN (2003, p. 9) O avanço da cartografia digital tornou possível a visualização e o tratamento estatístico dos dados procedentes de distintas zonas geográficas, em distintas escalas ou âmbitos geográficos.

 

Este foi um dos progressos fundamentais que colaboraram para o surgimento do geomarketing.

 

SHEWE e SMITH (1982, p. 13) situam o surgimento do marketing na década de 1950, no momento em que os fabricantes adotam a filosofia de examinar as necessidades e desejos dos consumidores e produzir para atender tais necessidades. Na mesma década, as empresas reconheceram que também podiam melhorar a movimentação de seus bens e serviços executando um conjunto de atividades tanto dentro quanto fora da empresa, desenvolvendo assim, mais um enfoque do marketing: a distribuição física.

 

Esse enfoque determina a localização como regra primeira, exigindo a introdução dos conhecimentos de geografia. A colaboração da geografia ao marketing desencadeou novas visões a respeito da dimensão espacial dos fenômenos socioeconômicos que são analisados pelo marketing, e provocou discussões relacionadas a duas forças opostas fundamentais.

 

KOTABE e HELSEN (2000, p. 15) afirmam que essas forças têm sido revistas por muitos autores em expressões como “padronização versus adaptação” (anos 1960), “globalização versus localização” (anos 1970), “integração global versusresponsividade local” (anos 1980) e, mais recentemente, “escala versus sensitividade” (anos 1990).

 

 

 

2.  A Metodologia Captare: representação de objetos para segmentos industriais

 

Fig 03: Estrutura Captare no Ciberespaço

 

O Captare é uma metodologia que percorre a tríplice analítica facilmente, ou seja, percorre do estratégico ao operacional, evidenciando conceitos estruturais de marketing, pesquisa de mercado e vendas, atendendo o movimento e pluralidade dos segmentos industriais.

As empresas da era industrial possuem seus negócios baseados em decisões de previsão de demanda por produtos e serviços. Se a empresa é uma fabricante, ela procura prever qual deverá ser a demanda pelo respectivo produto com seu preço estabelecido num nível que permita a obtenção da rentabilidade previamente estabelecida. Se tal previsão for acertada, os níveis de inventário serão suficientes para o atendimento da demanda, com os preços se mantendo estáveis, o fornecimento atendendo a demanda e a economia conseqüentemente mantendo-se em regime de estabilidade.

 

Entretanto, na prática, tais previsões ou são superestimadas ou subestimadas. Porém, os modelos de estatísticos de previsão, contribuem para minimizar as oscilações, conhecidas como “efeito chicote” ou “bullwhip effect” decorrentes ao longo da cadeia produtiva. Tornam-se ainda mais intensas e voláteis, em decorrência dos efeitos da globalização da economia e da velocidade da informação.

 

Para Forrester (1961), o efeito chicote é definido como sendo a distorção da percepção da demanda ao longo da cadeia de suprimentos na qual os pedidos para o fornecedor têm variância diferente da variância das vendas para o comprador. O efeito chicote é comum em sistemas de suprimentos e foram observados por Forrester em 1961, ao criar o conceito de dinâmica de sistemas e conceituado por Lee em 1997.

 

A tecnologia impulsiona transformações culturais e é refletido intensamente nos ambientes corporativos. Entre estas transformações holísticas emerge a necessidade de o indivíduo contemporâneo desenvolver habilidades essenciais de cooperação e interação, qualificando os profissionais para atuarem na sociedade contemporânea.

No ambiente corporativo, o homem necessita renovar seus conhecimentos, trocar idéias, compartilhar o tempo todo num exercício mental de arejamento e reciclagem e aprendizagem constante. À medida que o conhecimento e o avanço tecnológico acontecem, conseqüentemente, reduzindo  a matriz de tempo-espaço, as mudanças são rápidas e irreversíveis. As mudanças indicarão uma fase importante na transição da economia pós-industrial.

A construção, desconstrução e reconstrução de estratégias globais deverão ser planejadas e operacionalizados no lema: “Pensar globalmente e agir localmente”, e será um grande desafio. O relacionamento será a grande arma para sustentação da carteira de clientes.  As técnicas de marketing de relacionamento serão aprimoradas, focadas em nichos com necessidades e desejos diferentes.

No entanto a dificuldade em que os segmentos industriais tem em mapear as ineficiências da flutuação da demanda perante os canais de distribuição e com agir rapidamente para uma suposta reposição eficiente de produtos no varejo, além de estabelecer uma relação mais próxima no varejo de acordo com perfil sugerido pela metodologia Captare.

Com isso, o uso de mapas torna-se um instrumento fundamental. Contribui de forma eficaz o entendimento do processo comportamental da demanda de produtos e qual o ciclo mais apropriado para um direcionamento de distribuição de produtos. Este direcionamento é fortalecido pela captura, processamento, classificação e interpretação de dados cuja a fonte enriquecedora são transações  business to business transcendendo para objetos de representação cognitivas no ciberespaço, uma forma pode ser ferramentas de SIGs – Sistemas de Informações Geográficas.

A arquitetura do conhecimento do Captare é baseada em três concepções normativas e parametrizadas, são elas:

(a) Base Transacional de Demanda

(b) Modelagem Estatística e técnicas de datamining

(c) Matriz Captare – Processo Semiótico

(d) Publicação em aplicações de inteligência colaborativa

 

SANTAELLA (1996) É notório que o mundo está num período de revolução e que novos desencadeamentos estão por vir. Assim, tecnologias de informação e comunicação, como a Internet por exemplo, oferece dimensões planetárias à comunicação humana, contribuindo fortemente para a revolução da informação no mundo.

O computador representando o sistema utilizado, o homem representando o sistema utilizador e a interface representando a membrana que abstrai os une, recebendo ou transmitindo suas mensagens na forma de seus signos, textos, imagens ou outros elementos.

Dessa forma a pesquisadora Lúcia Santaella considera que a interface ocorre quando duas ou mais fontes de informação se encontram face-a-face, mesmo que seja o encontro da face de uma pessoa com a face de uma tela. Um usuário humano conecta com o sistema e o computador se torna interativo. Essa é a grande diferença que separa a ferramenta de um programa (software). Ferramentas são feitas para serem usadas.

O uso do Captare mostra-se uma iniciativa enriquecedora na medida que os benefícios começam a aparecer logo nos primeiros meses de sua implementação. Sua interface tem o poder de representar informações tanto para os gestores quantos para os participantes do ambiente virtual.

São operações se desenrolando na tríade que “homem”, “interface” e “computador” formam, no intuito conjunto de fazer acontecer o fenômeno da comunicação para o alcance de um objetivo, seja ele uma ação, reação, serviço ou informação.

A consulta e a representação cognitiva para formalização e sistemas de transmissão de informação/conhecimento são muito importantes para o uso de tecnologias de inteligência e design digital, e para o Captare é evidente o quanto é importante na formulação do diálogo entre usuário e produto de informação, articulando instrumentos como a infometria para a construção, comunicação e o uso da informação.

Em ambientes como o do Captare, extrai-se maior sentido de retorno (feedback) e valorizam-se estímulos e percepções do processo de comunicação. Nesse sentido, o foco do recurso passa a ser a interação entre os pólos existentes no processo de comunicação.

Sua interface é caracterizada e assume um contato sensitivo, quase como uma órbita do pensamento do ser, e colocam a complexidade como momento instantâneo, resposta esperada por uma identidade que se quer afirmar e se redescobrir a cada interação, da mesma forma que aprendemos em nosso desenvolvimento individual.

Nesse sentido, o pensamento visual provocado pela experiência do usuário do Captare no website não é uma ilustração ao acaso ou uma versão do pensamento verbal, mas processa-se de maneira única e, portanto, ganha estatuto de expressão direta de um modo de pensar e compreender o fluxo da demanda dos segmentos industriais.

 

 

 

3.  Captare: A linguagem cartográfica e a semiologia gráfica

 

Fig 04: Captare no GoogleEarth

 

A Cartografia Digital está diretamente ligado à evolução da computação gráfica e dos recursos computacionais, tanto em termos de hardware (equipamento) como de software (programas). Esta transição faz parte da história do desenvolvimento tecnológico da Informática.

Na década de 80 aconteceram nos mais diversos setores da sociedade a definitiva incorporação dos Sistemas de Informações Geográficas – SIG’s, como um poderoso instrumento tecnológico da cartografia digital capaz de integrar três dimensões, temporal, temática e espacial; devido ao seu caráter interdisciplinar, diversas áreas do conhecimento científico.

Esse tem como objetivo maior à geração, cruzamento e análise da informação relativa ao ambiente espacial com as diferentes informações nas mais diversas áreas do conhecimento, sejam elas de natureza política, econômica, marketing, social e dentre outras.

Atualmente, os mapas ganham a vantagem da automação e a mineração de dados, mas, geram a desvantagem ocasionada pela falta de preocupação com a representação gráfica e visual da informação. É muito comum encontrar mapas digitais com linguagem cartográfica (símbolos) onde somente quem elabora, entende.

Também são comuns mapas com grande quantidade de informação e poucos recursos visuais. Senão mapas que, na teoria representam diversas informações, porém na prática nada transmitem pelo simples fato de possuírem uma linguagem gráfica e visual pobre com baixa precisão qualitativa e conteúdo informativo.

Devido a esta desvantagem, quanto à utilização adequada dos mapas que a metodologia Captare vem a contribuir aos segmentos industriais, visto que, depois de 20 anos, esta indústria se volta para o varejo, de forma inteligente e altamente competitiva. Surge como uma nova possibilidade de comunicação, de muitos para muitos a distância – uma nova forma de interagir propiciada pelo ambiente de rede – a inteligência coletiva em rede.

O ambiente em rede – ciberespaço, assim, a comunicação do muito para muitos, mas nem todos os que se conectam estão necessariamente usufruindo daquilo que este ambiente tem de especifico. Por isso, a Metodologia Captare busca as mais diversas formas de publicar sua essência de representatividade cognitiva, de modo que, a diferença está em como, quem e por que o usuário a utiliza e também é claro, na capacidade de compreender e aplicar com eficácia e eficiência as informações sugeridas por essa metodologia potencializando a interatividade.

A linguagem cartográfica dispõe da percepção visual – Semiologia Gráfica – tendo a finalidade de informar e transmitir conhecimentos. Há, portanto, todo cuidado e precisão no emprego dos símbolos, para que os diversos usuários possam entender a linguagem cartográfica do mapa e, conseqüentemente utilizá-lo.

Por conta da automação dos mapas, por sua vez, também influenciou diretamente na Semiologia Gráfica pelas novas possibilidades de representação gráfica. A topologia no mapa digital descreve como os pontos, linhas e polígonos estão posicionados espacialmente.

É através dela que obtém-se a capacidade para identificar relações espaciais existentes entre os diversos elementos gráficos. Portanto, é responsável por características como a conectividade e a identificação e criação dos polígonos. Estas informações formam a base para avançadas funções de SIGs e principalmente para análises espaciais e geográficas – o garimpo de informações.

 

Fig 05: Exemplo de Geolocalização de ponto de venda com dados perfil Captare

 

 

 

 

Em relação à imagem figurativa e simbólica, onde o signo precede sempre a palavra, a imagem gráfica. Toda a interpretação, toda a discussão sobre a palavra, já está por definição determinada. Sob este ponto de vista, a imagem é tão objetiva quanto a matemática, porque é dedutiva a partir das definições iniciais. É uma imagem abstrata a priori e rigorosamente codificada.

A representação gráfica ocupa um lugar especial nos domínios mais variados, seja na administração, arquitetura, urbanismo, medicina, biologia, geografia, marketing entre outros.

Uma das questões levantadas pelos participantes no ciberespaço Captare, é como tomadas de decisões, baseadas em elementos cognitivos podem ter uma assertividade maior do que números absolutos publicados em planilhas.

NÖTH (1998), no livro “Panorama da Semiótica: de Platão a Peirce”, remete ao período grego-romano antigo, no qual Platão (427-347) tratou de vários aspectos da teoria dos signos. O modelo platônico obedecia a uma estrutura triádica na qual é possível distinguir os três componentes do signo: o nome, a noção/idéia e a coisa à qual o signo se refere. A compreensão desse pensamento é a porta de entrada para a teoria semiótica. Nunca o signo é igual à coisa à qual se refere, pois se fosse, não seria signo, seria a própria coisa.

KAPLAN e NORTON (2004) no livro “Mapas Estratégicos” mostram que uma nova tendência da área de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D nas empresas é descobrir todas as funcionalidades que os consumidores encontram para os produtos. Não há limites para as funcionalidades de um produto, é preciso entendê-las e massificá-las.

Para isso, entender e compreender o fluxo da demanda de produtos é de extrema importância para o segmentos industriais, e ter o Captare como produto de inteligência que transcende o real comportamento da demanda no ponto de venda traz para gestor da informação a elaboração semiotica para agir e decidir diante de um determinado problema.

NÖTH (1998) esclarece que o processo semiótico fica completamente confinado à mente, desde a recepção até a compreensão final do signo. Para ele as nossas sensações do mundo são “idéias impressas nos sentidos” e não existem a não ser na mente de quem as percebe. Um exemplo, o barulho que ouvimos não é causado pelo movimento dos carros na rua, mas é tão-somente um signo deles.

Esse conceito remete para o entendimento de qualidade usado pelo Marketing. Dois produtos, derivados da mesma matéria-prima e da mesma técnica de fabricação são percebidos pelos consumidores de forma diferente em função da marca que estampam. As estratégias de Marketing não devem focar na venda de produtos, e sim na personalidade representada pela marca.

 

PIERCE (1922) postulou que todo pensamento se dá em signos. Não há pensamento sem signos. Qualquer coisa que esteja presente à mente, seja de ela de uma natureza similar as frases verbais, a imagens, a diagramas de relações de quaisquer espécies, a reações ou sentimentos, isso deve ser considerado como pensamento.

 

A imagem visual aceita uma grande quantidade de informações, e vários níveis de leitura através do agrupamento dos elementos. Uma representação gráfica permite memorizar rapidamente um grande número de informações, desde que transcritas de maneira conveniente e ordenadas visualmente.

A opção do uso do Termômetro do Captare é utilizar-se das referidas categorias filosóficas pode ajudar-nos a compreender os objetos sígnicos, como a representação do conhecimento, linguagens, mídias, discursos, mas não fornecem categorias à organização do conhecimento, até o momento, ao contrário das operações mentais de Aristóteles (idéia, razão e juízo) ou as faculdades mentais de Bacon (memória, razão e imaginação) pois a Semiótica peirceana fornece,

 

“[...] as categorias para a análise da cognição já realizada.” (BUCZINSKA-GAREWICZ apud SANTAELLA, 1992, p. 53). Em outras palavras, o poder de representação dos signos em seus contextos de estudo.

 

A representação do TERMÔMETRO do Captare, é dada a partir do modelo RFV por ser uma das técnicas do datamining pois utiliza como recurso regras de associação. É um método de dividir em categorias os registros presentes em um banco de dados, de forma a conhecer quais são os clientes mais recentes, os que compram com mais freqüência e quem são os que mais gastam.

 

Veja a representação do Termômetro abaixo:

Fig 06: Termômetro Captare

 

Cada bolha representada por uma cor traz uma modelo comportamental, explicado a partir de um modelo estatístico, por fim uma linguagem, uma comunicação, uma sensibilidade diferente a análise em uma suposta questão.

 

Como é a leitura do Termômetro

Fig 07: Diagrama de Bloco Captare>> Pontos de Vendas vs representatividade de Demanda

 

 

A Análise de Bloco acima faz uma reflexão baseada no Diagrama de Pareto. É um recurso gráfico utilizado para estabelecer uma ordenação e uma classificação para Termômetro da Matriz Captare. Permite ordenar as freqüências das ocorrências da maior para a menor e permitindo a localização de problemas vitais e a eliminação de perdas.

 

A leitura da Análise de Bloco acima é a seguinte: 5% dos pontos de vendas que estão com a classificação HHB – Hot Heavy Buyers detêm 40% da demanda, ou seja, se o gestor da informação selecionar as classificações de MB – Middle Buyers à HHB – Hot Heavy Buyers, estarão selecionados 30% dos pontos de vendas que representam 89% da demanda.

 

Para a Matriz é evidente o quanto é importante na formulação do diálogo entre usuário e produto de informação, articulando instrumentos como a infometria para a construção, comunicação e o uso da informação.

 

Fig 08: Home do Captare na internet >> Matriz Captare

 

A concepção da Matriz Captare passa pelo processo semiótico tríadico – primeiridade, secundidade e a terceiridade, defendida por Pierce. A primeiridade tem relação com o sentimento, ou seja, a primeira apreensão das coisas, e ainda não se trata de sensação ou pensamento articulado,

 

“[...] mas partes constituintes da sensação e do pensamento, ou de qualquer coisa que esteja imediatamente presente na consciência”, prossegue, “[...] sentimento é, pois um quase-signo do mundo: nossa primeira forma rudimentar, vaga, imprecisa e indeterminada de predicação das coisas.” SANTAELLA (1983, p.45-46).

 

Assim, se o processo semiótico continuar a sensação é explicada pela reação, existência, dependente, relativo, aqui-agora, choque, determinado, polaridade e ação-reação, e são as características da secundidade, pois

 

“[...] há um mundo real, reativo, um mundo sensorial, independente do pensamento e, no entanto, pensável, que se caracteriza pela secundidade.” SANTAELLA (1983, p. 47).

 

A secundidade necessita de outra ação, pois como o mundo não se divide em coisas, de um lado, e signos, de outro, mas vive da mistura das coisas que, sem deixar de ser coisas, são também signos, e dos signos que só podem ser signos porque são também coisas, as ações, que movem o mundo, são de duas ordens irredutíveis, mas inseparáveis e superpostas: a ação diádica, embutida dentro da ação [triádica] do signo, ação inteligente ou semiose. Uma não pode ser concebida sem a outra. SANTAELLA (1992, p.77).

 

Completando as categorias, a terceiridade significa signo, continuidade, semiose, aprendizagem, cognição, tempo, mediação, lei, mente e se encontra no terreno da razão e da tríade, mas a razão, em Peirce, não pode ser confundida com consciência. De acordo com as categorias, a razão é um terceiro momento da apreensão e compreensão de um fenômeno. A terceiridade, a mais percebida ou a mais inteligível para nós, já é a síntese intelectual ou o pensamento em signos, a medição entre nós e o mundo, é o terreno do pensamento.

 

As modalidades de Peirce, em princípio, não têm uma síntese direta com a organização do conhecimento como entendida na área de Ciência da Informação, no entanto, têm o potencial teórico muito rico para discutir a representação do conhecimento, sobretudo hoje, no ambientes das múltiplas linguagens.

 

Para as ciências da informação, tem como função encontrar as regras mais apropriadas para o design de sistemas e dos procedimentos de coletar, organizar, classificar, indexicar, recuperar e mediar os materiais que dão suporte aos dados, significado e experiência.

Esses processos de informação devem ser significativos para serem usados, portanto o uso de mapas traz para o gestor da informação um processo mental de compilação significativas baseadas em informação e experiências vivenciadas, o aspecto geo-informacional opera seus processamentos, sejam elas analógicas ou digitais, de maneira intencional e simbólica.

Do ponto de vista social e sendo estendido para a realidade corporativa, mais especificamente nos setores industriais, onde a transparência do fluxo de informações, por muitas vezes é ofuscado pelos nós na cadeia produtiva, um dos problemas das ciências da informação, está nas estratégias para comunicação construtiva, esta tarefa para muitas empresas é um desafio árduo, pois o processo de aprendizagem conjugado entre as informações aliado a experiência traz uma produção contínua para a construção e reconstrução do conhecimento individual e coletivo – conhecimento em rede.

É inegável que a internet abriu portas para o desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento, e para a cartografia digital.

O uso do GoogleEarth para plotar as informações cognitivas da metodologia Captare, em um ciberespaço resulta de um movimento de comunicação coletivo, e o mais importante, um ambiente de inteligência coletiva, onde possibilita uma nova-velha forma de comunicação e publicação da informação, onde cada signo possui um significado, enobrecido com experiências do gestor-participante da informação. Sem dúvida, tornou-se uma forma democrática de aliar a informação a uma visão espacial e temporal.

Um dos propósitos do Captare publicado no GoogleEarth é conhecer e compreender a realidade de cada local a partir da observação dos dados produzidos pelos vínculos entre ponto de venda e seu espaço. Esse objetivo exige que o Captare assuma a multidisciplinaridade, relacionando e coordenando três disciplinas e suas técnicas de pesquisa sobre o indivíduo: a cartografia, a geografia e o trademarketing. Essas disciplinas são responsáveis pelos estudos e pela representação dos fenômenos que interagem no meio físico, cultural, econômico e comportamental, fundamentais para as análises de geo-trademarketing.

 

CAVALCANTI (2007) A democratização do acesso à informação e o desenvolvimento da tecnologia de telecomunicação, em termos de redução de custos, aumento da velocidade, abrangência e assincronidade – tudo isso tornou-se a quebra de limites geográficos e temporais para a comunicação, permitindo, pela primeira vez na História, a criação de comunidades globais

A metodologia Captare aliada com GoogleEarth, democratiza o conceito de redes colaborativas em um ciberespaço, são os epicentros de projetos embrionários e inovadores de um futuro presente, sejam em torno de objetivos especificos (ações táticas) ou objetivos macros (ações estratégicas), atuando como canais de distribuição rápida de divulgação de ações / reações baseadas em signos, para Captare é presente em cada signo do Termômetro do Captare.

Para LEÃO (2007), em sua matéria publicada no Folha Online, “O cotidiano contemporâneo é repleto de excessos. Excessos de dados, de imagens, de links e de novas tecnologias. Nesse mundo em constante transformação, surgem, a cada dia, projetos de organização de dados, muitas vezes chamados de mapas, que são muito mais que representações bidimensionais de espaços tridimensionais. Outra vertente são os mapas on-line, que geram muitos recursos e conquistam público aos borbotões, tanto que a senda aberta pelo Google Earth recebe agora a poderosa concorrência da Microsoft. E os governos também investem para melhorar o sistema que fotografa o planeta por satélites.

O Google Earth é um poderoso programa que permite a visualização de imagens reais capturadas por satélite de praticamente qualquer lugar do mundo. Trata-se de uma ferramenta útil, divertida e fascinante. Embora a utilização do Google Earth seja simples, muitos usuários podem ter dificuldades em entendê-lo no início.

O único contratempo do uso do Captare no GoogleEarth, ele não roda em qualquer computador. A configuração mínima exigida é a de um PC com processador Pentium III 500 MHz ou equivalente, com 128 MB de memória RAM, 200 MB de espaço em disco, placa de vídeo 3D com 16 MB e conexão à internet em banda larga. Para baixar o Google Earth, visite o siteearth.google.com. A instalação é feita de maneira simples, dispensando explicações.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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