Resenha Bibliográfica: Porque as comunicações e as artes estão convergindo?

A Resenha Bibliográfica trata-se de um texto resumido, sobretudo, com caráter informativo para o leitor. É uma fonte enriquecedora na formação universitária, podendo se estender ao longo da vida profissional de um estudante, passando assim, a ser um pesquisador crítico de valor, apontando os aspectos positivos e negativos da obra.
A resenha da obra bibliográfica “Porque as comunicações e as artes estão convergindo? de Maria Lúcia Santaella, foi elaborada pela graduanda em Jogos Digitais da FMU – Samantha Pavan Sorpreso, e, o modelo proposto é uma adaptação do sociólogo e antropólogo Antonio Rubbo Müller.
Desejo a você uma boa leitura!
 
I – OBRA:FORMULÁRIO DE RESENHA BIBLIOGRÁFICAAdaptado do modelo de ANTÔNIO RUBBO MÜLLER1. RESENHISTA:Samantha Pavan Sorpreso2. AUTOR: Maria Lúcia Santaella

3. TÍTULO: Porque as comunicações e as artes estão convergindo?

4. COMUNIDADE QUE FOI PUBLICADA: São Paulo – SP

5. FIRMA PUBLICADORA: Editora Paulus

6. ANO: 2005

7. NÚMERO DE PÁGINAS: 70

8. FORMATO: Brochura

9. PREÇO: R$19,90

10. EDIÇÃO: 3a Edição, 2008

II. – CREDENCIAIS DO AUTOR:

11. Maria Lucia Santaella é uma professora titular da PUC-SP com doutoramento em Teoria Literária na PUC-SP em 1973, livre-docência em Ciência da Comunicação na ECA/USP em 1993. É fundadora do “CS games”, Grupo de Pesquisa em Games e Semiótico da PUC-SP, além de professora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas EESP-FGV, nas áreas de Novas Tecnologias e Novas Gramáticas da Sonoridade, Relações entre o Verbal, Visual e Sonoro na Multimídia e Fundamentos Biocognitivos da Comunicação.

III. – CONCLUSÕES DO AUTOR:

12. A autora conclui em sua obra que as comunicações e as artes percorreram caminhos nos últimos tempos, onde as comunicações passaram a ocupar o espaço das artes nas sociedades e na cultura das pessoas, tendo várias consequências. Embora parecesse que ambas estavam rumando para caminhos contrários, a revolução tecnológica trouxe o conhecimento e percussão das artes para o mundo. Os artistas tiveram no meio de comunicação uma forma de diversificação da arte e disseminação das mesmas através dos veículos de massa, como a TV, fotografia, cinema, internet. Ela conclui que uma não concorre com a outra e sim ambas mantém uma relação simbiótica de convergência.

VI. – RESUMO DA OBRA:

13. Introdução A autora começa com uma breve explanação das artes na Idade Média, comparando o que hoje chamamos de artes visuais, eram chamadas de artesanato. Situação que se modificou na Renascimento, quando os artistas elevaram o status das artes ao colocar em destaque seu caráter intelectual e teórico. As artes foram esquematizadas em cinco belas artes: pintura, escultura, arquitetura, poesia e música. As três primeiras eram tidas como as principais artes na Europa durante o Renascimento até meados do século XIX. Com a revolução industrial e a mudança para grandes cidades (urbanismo) o contexto social destas artes se modificaram. Nossa cultura foi então transformada de belas letras e belas artes para ser dominada pelos meios de comunicação. Nesta lista incluímos a fotografia, cinema, televisão, publicidade, jornais, revistas, quadrinhos, livros de bolso, fitas e CDs.

Os meios de massa têm c impressoras, etc. A autora coloca a proposta do livro como polêmica, pois para muitos, a comunicação está ligada diretamente ao a comunicação de massas e as artes estão restritas ao universo das Belas Artes. Não podemos limitar nossa visão desta forma, tanto na comunicação como na arte em si, pois alimentando este separatismo, sofremos perdas. A arte perde, pois fica limitada pelo olhar conservador da face artesanal e a comunicação perde por estar confinada ao estereótipo da comunicação em massa. A autora considera que existe a impossibilidade de separação entre as comunicações e as artes, mesmo não se desprezando ou minimizando as especificidades das comunicações e das artes. O trabalho visa explorar os caminhos e rumo da convergência das duas.

Cap.1. Pontos de Partida para a reflexão

Houve um notável e acentuado crescimento de complexidade no campo comunicacional dos anos 80 para cá. A autora tem utilizado em algumas de suas obras, como categorias de configuração das culturas humanas, seis grandes eras civilizatórias: comunicação oral, comunicação escrita, comunicação impressa, comunicação propiciada pelos meios de comunicação em massa, comunicação midiática e comunicação digital.

A comunicação oral se trata da formação de culturas que tem na fala seu processo comunicativo. O da escrita, culturas que tem como forma de registro seu acervo cultural por meio de escrita (pictográfica, ideográfica, hieroglífica e fonética). Os meios de comunicação são inseparáveis do desenvolvimento de uma sociedade.

Novamente a autora cometa sobre artes antes e depois do Renascimento e a Revolução industrial. Com a Revolução industrial vieram as máquinas de produção de bens simbólicos, máquinas mais propriamente semióticas como a fotografia, prensa mecânica, etc. Em seguida veio o jornal, multiplicação dos livros. A fotografia aliou-se ao jornal em potencial de documentação. O cinema, fotografia em movimento, tirou partido da temporalidade contando histórias, rivalizando-se com a prosa literária. House então a segunda Revolução Industrial, a eletroeletrônica, trazendo o rádio, televisão, instalando a comunicação massiva. Para a autora, a cultura de massas não deve ser vista como uma 3a forma de cultura estranha às anteriores. Resumindo, a comunicação massiva deu início a hibridização das formas de comunicação e de cultura. Um denominador comum dos meios de massa é a mistura de meios ou multimeios, que são por natureza intersemióticos. Esta mistura atinge alvos a que os meios de massa aspiram: facilitação de comunicação. O significado de uma imagem pode ser reforçado pelo diálogo e pela música. Na publicidade, o texto direciona o sentido da imagem com o que se pretende com a peça. A autora cita vários movimentos como impressionismo, abstracionismo, dadaísmo e sua linha de tempo onde os meios de comunicação avançaram sobre as artes. Também houve grande discussão do que era arte e não arte. De 1960 até 1970 houveram outros movimentos artísticos como minimalismo, novo realismo, arte provea, body arte e etc… Foi um período de novas tendências e foi acompanhado pelo acesso dos artistas às novas tecnologias, tornando a relação entre os meios de comunicação e produção de arte intrínsecas. Nos anos 70-80, novos meios surgiram e apareceu o consumo de comunicação, cultura de mídias. Os artistas passaram a ter acesso à tecnologia, que tomou a frente do experimentalismo. O produto desta tecnologia passou a ter espaço nos museus ao invés das artes mais manuais. Novas tecnologias midiáticas surgiram como, por exemplo, desenho industrial, publicidade, cinema, televisão. Por sua vez, a arte, para se divulgar, passou a se utilizar destes meios. As mídias tecnológicas se convergem. Publicidade utiliza da fotográfica, do vídeo, canais de TV e etc. Essas por sua vez, se utilizam de imagens de obras de arte, réplicas e etc. As próprias mídias levaram o conhecimento da arte para o público. A arte foi popularizada através dos meios de comunicação. Até 1970, o papel das artes na sociedade era dado pela televisão. Depois dos anos 80, surgiram os debates culturais e artísticos sobre a pós-modernidade, trazendo multiplicidade de produções artísticas dando origens a novos museus como Galeria de Stuttgart, Guggenhein, Nova Galeria Tate etc. O aumento de museus proporcionam grandes exposições de artistas e escultores consagrados.

Como característica comum o uso de máquinas como câmeras, projetores,

Constata-se que as convergências das comunicações e as artes são multifacetadas que serão abordados nos outros capítulos do livro.

Cap.2. Afinidades & atritos entre fotográfica e arte

Fotografias são consideradas mais objetivas e confiáveis que desenhos e pinturas, mesmo quando a qualidade da foto não é tão boa. Isso porque existe uma relação física e espacial entre a foto e o fotografado, o signo e o seu objeto referencial. O capítulo aborda a replicação massificada por meios de métodos de produção de imagens.

A fotografia foi tida como inimiga das artes. Porém, outros consideravam a máquina apenas uma ferramenta mais complexa, A máquina fotográfica significava a substituição da habilidade humana de pintar. Porém, Walter Benjamin não lamentou o surgimento da tecnologia reprodutiva, pois apenas transformava a natureza da arte. Isso foi discutido durante muito tempo e os temores e predição de que a fotografia significaria a morte da pintura não se concretizou. Pelo contrário, trouxe novos estímulos à pintura. Em 1839, a pintura entrou em diálogo com a fotografia e isso perdura até os dias atuais. Surgiram híbridos entre fotografia e arte em diversos movimentos, como surrealismo, dadaísmo, suprematismo entre outros, explicados pela autora, que faz comparativo destas misturas entre eles. A arte pop foi uma evolução na utilização da fotografia pela arte. Passaram a existir formas tecnológicas de reprodução de foto (serigráfica, fac-símile, transporte fotográfico, projeção de slides e etc.). A arte corporal, ambiental, conceitual, converge na fotografia, pois usa do fator tempo, registro e memória. A fotografia deixa ter apenas função da documentação. Houve avanços nas técnicas de foto, filme e vídeo. Hoje, as obras de arte de qualquer natureza convivem com bilhões de imagens reproduzidas. A fotografia foi responsável pelo surgimento da computação gráfica, scanner, imagens, exibição de imagens online. Conclui-se, no fim do capítulo, que os valores artesanais ainda são cultivados principalmente na pintura que resulta em trabalhos valiosos. Trabalhos que perduram depois da morte dos artistas e são disseminados e perpetuados através de fotos, imagens, páginas na web.

Cap.3. Cinema Experimental & Cinema como arte

A história do cinema foi marcada por sucessivos desenvolvimentos tecnológicos que hoje culminam nos efeitos especiais. O cinema teve sua origem em 1890 e em 1895, os irmãos Lumiere e Melies encenaram história de imagens com movimento.

O filme passou a atrair praticantes que trouxeram várias contribuições. A autora cita nomes como Charles Chaplin e Sergei Eisentsein. Este último é que chama mais a atenção pela interação dinâmica que promoveu entre arte e tecnologia. A literatura sofreu competição com o cinema quanto ao seu potencial para construção ficcional. Criou rupturas no modo de contar historias utilizando os artifícios da temporalidade. O cinema então seguiu nesta mesma linha de narrativa. Também incorporou procedimentos como na televisão. O cinema converge com invenções tecnológicas, linguagens, arte em estado natural, animação gráfica tridimensional e efeitos especiais.

Cap.4. Arte e industrialização de cultura

Colagens cubistas, performances futuristas e eventos dadaísticos vinham perdendo espaço para o movimento crescente da fotografia. Ainda consideravam duas grandes categorias nas artes: pintura e escultura. Em 1960 as diferenças começaram a ceder e este sistema de classificação começou a se quebrar.

A arte pop trouxe mudanças com movimentos que desafiavam a concepção de modernistas da arte, A arte pop surgiu para trazer o urbanismo à cena como arte, com fotos de jornais, revistas, outdoors que passaram pelo olhar crítico dos artistas. Os artistas pop não se utilizavam da natureza como referencia visual, onde as árvores foram substituídas por prédios. As pessoas passaram a viver com a tecnologia e não com a natureza. A arte pop engloba pinturas, esculturas, impressos, colagens e etc. oriundos dos meios de massa. Os artistas pop simplesmente de deslocam de contextos, recontextualizando.

Algo do original era preservado ao mesmo tempo em que se operava em processo ativo de transformação da linguagem dos meios de massa para a linguagem da arte.

Cap.5. Mídias & as imagens artísticas

A História da arte se constitui em um vasto banco de imagens. Designers gráficos, publicidade, cinema e televisão sempre se utilizaram destas imagens. Este ato foi potencializado quando as imagens passaram a ser digitalizadas. O acesso a programas de tratamento de imagens tornou possível a manipulação de fotos, imagens, desenhos. Para os designers, é importante utilizar uma imagem de fácil compreensão e muito se utilizou deste banco de vanguarda. No inicio, se achou que serial algo inadequado, mas não foi o que aconteceu. A arte pop “canibalizou” as imagens dos meios de massa e as mídias recanibalizaram suas imagens, reciclando-as e imitando novo tratamento que os artistas haviam dado a elas. Hoje, ha duas maneiras que as mídias se apropriam da imagem da arte: imitação de seus modos de compor estilos e pela incorporação de uma imagem artística mesclada com a imagem do produto anunciado. A publicidade busca atingir o status das artes, utilizando-se de altos padrões de qualidade e criando cerimônias e premiação para trabalhos vencedores com peso de obra de arte.

Cap.6. Pós-modernidade & desterritorialização da cultura.

No século XX, a pesquisa teórica e a inovação artística juntavam-se de uma maneira exemplar e única. Em 1975, Rosalind Krauss e Annette Michelson deixaram suas revistas distintas para fundar o October, que tinha como objetivo destruir fronteiras da arte que movimentos como a arte pop havia provocado, anunciando o modernismo. No final dos anos 70, as discussões sobre as artes, design e arquitetura, moda, foram invadidas pelos conceitos de pluralismo e pós-modernidade. O modernismo acabou por se transformar na cultura oficial das elites nas democracias ocidentais. A hibridização e desterritorialização da cultura foram retomadas na arte pop e atingiu seu limite na pós- modernidade. Em 1980 em meio ao ecletismo, as artes adquiriram relevo aquele que era denominado de “retorno à pintura”. A arte emergente da pintura propunha a desmaterialização da obra de arte e impersonalização da execução que havia caracterizado a arte dos anos 70. Estava sendo superado pelo estabelecimento de habilidades manuais pelo meio de um prazer na execução que trazia a tradição da pintura de volta a arte.

Cap.7. Os vídeos & as artes

Nas décadas de 50-60 a arte pop, minimalismo e conceptualismo eram formas artísticas dominantes. Havia uma tendência de se eliminar fronteiras entre a arte e a vida cotidiana. A televisão era o meio dominante da cultura das massas. A vídeo-arte emergiu em 1960. A arte tecnológica refere-se ao uso que os artistas são capazes de fazer de tecnologias que são disponíveis na esfera comercial e studios de design.

Os designers precisam esperar que a tecnologia chegue as grandes massas. Em 1960, surgiu a câmera de vídeo portátil que embora não concorresse com a TV, fazia com que os designers pudessem explorar novos meios de comunicação produzindo grande impacto em uma série de atividades humanas, por exemplo, reportagens de telejornal, registro de acontecimentos familiares e etc. O vídeo se ajustou com precisão ao clima de liberação sexual e de protesto político. Começou a fazer frente à televisão comercial e começaram a surgir os estúdios experimentais que eram recompensados quando seus vídeos eram transmitidos na TV. É bastante irônica a situação de antagonismo, pois há um intercâmbio entre o mundo da vídeo-arte de um lado e a televisão e indústria de publicidade de outro. Houve uma simbiose entre os dois lados: artistas de vídeo se utilizando da TV e a TV incorporando procedimentos de videoartistas. O vídeo produz sensação de intimidade do gesto do artista, associado à pintura, expressionismo abstrato na sua ênfase do ato físico de pintar. O vídeo como arte deve ser distinguido pelos usos do vídeo em documentários, reportagens e usos utilitários. Técnicas artísticas podem estar presentes na TV, vídeos, mas não podem ser capazes de transformar tais programas ou intervalos publicitários em realizações artísticas.

Cap.8. A comunicação digital & Artes interativas

Tanto a história das vanguardas estéticas como a era industrial e pós-industrial são marcadas por constantes inovações e competições. As invenções e tecnologia que tiveram início na fotografia avançaram para cinema, TV, vídeo, computadores e depois invenções em hardware e software, tornando a comunicação planetária totalmente interativa.

Foto, arte e tecnologia convergem em um laço simbiótico. A mais atual revolução é a que permite que milhões de pessoas com renda média tenham acesso a tecnologia, fazendo suas próprias imagens, sites na internet, produções culturais sem sair de casa. O acesso aos computadores e seus programas de manipulação pelos artistas tornou-se possível a arte computacional: imagens digitalizadas, esculturas cibernéticas, eventos cinéticos e etc. A arte diz respeito então à habilidade de se manipular tecnologia, como por exemplo, imagens 3D, edição de vídeo e etc. A arte tem um aspecto mais amplo dentro da tecnologia e a tecnologia por sua vez recebe a tradição das artes.

V – METODOLOGIA DO AUTOR:

14. Dedutivo

VI – QUADRO DE REFERÊNCIA DO AUTOR:

15. Semiótica, Estudo dos Signos, Teoria Literária, Ciência da Comunicação, Novas Tecnologias e Novas Gramáticas da Sonoridade, Relações entre o Verbal, Visual e Sonoro na Multimídia, Fundamentos Biocognitivos da Comunicação.

VII. – QUADRO DE REFERÊNCIA DO RESENHISTA:

16. Marketing, Design, Jogos Digitais.

VIII. – CRÍTICA DO RESENHISTA:

17. É a primeira obra que leio de Lúcia Santaella e embora já tivesse ouvido falar na autora, nunca tive o prazer de deparar-me com seu trabalho. A obra é de leitura fácil, objetiva, bem escrita e elucidativa.

IX. – INDICAÇÕES DO RESENHISTA:

18. Considero esta obra muito importante para alunos de cursos relacionados à área de comunicação, jornalismo, marketing, publicidade, designers de todas as mídias (gráficos, multimídia, games, web e mobile) e interessados no assunto.


Sobre a resenhista
Samantha Sorpreso, 14 anos de experiência na área de design online e offline.
Redação publicitária, criação e direção de arte para websites, hotsites, intranets, extranets, e-mail marketing, banners, lojas virtuais, interfaces gráficas para sistemas online e offline, jogos, multimídia, elearning. Desenvolvimento de identidade visual (logotipos, papelaria, folders, take-ones, anúncios, mousepads, camisetas, canecas e brindes em geral). Ilustrações, charges, caricaturas. Programação: XHTML, CSS, ASP, Actionscript (2.0), Java Script, noções de C#, PHP, ASP.Net, XML.
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